Cerca do ano 30 a. C. Olisipo (actual Lisboa) recebeu de Octaviano, herdeiro do Divino César, o singular estatuto de “Município de Cidadãos Romanos”, o que lhe conferia as melhores regalias jurídicas, políticas, administrativas e económicas, permitindo-lhe harmonizar a Lei Romana com as antigas leis da própria cidade, mantendo assim as suas tradições sem prejuízo da mais excelente integração no Império. O seu território era muito vasto incluindo toda a Baixa Estremadura a Sul de Montejunto e a Norte da Arrábida.
Fértil de gentes oriundas das mais diversificadas partes do Império, em Olisipo os negócios e a riqueza material misturavam-se com o gosto pela palavra escrita e pelas artes. As elites municipais viveriam na sua maior parte fora da cidade, em grandes propriedades rurais - as villae -, localizando-se a maioria das principais, ao que tudo leva a crer, na actual região de Sintra.
Não admira, pois, que aqui surjam largas dezenas de monumentos epigráficos que nos falam dessas elites e da sua clientela. O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas é disso um testemunho inequívoco.