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Alto da Vigia
Sítio Arqueológico do Alto da Vigia (Praia das Maçãs, Colares)

Remontam ao século XVI as informações mais antigas que indicam a existência de um santuário romano junto à foz do Rio de Colares. São da autoria de Valentim Fernandes, em 1505; e de Francisco d’Ollanda, por volta de 1541. Este autor inclui na sua obra “Da Fábrica que falece à cidade de Lisboa” o desenho das estruturas que então terá conseguido observar e que pertenceriam ao santuário romano.


A identificação daquelas ruínas no século XVI corresponde à primeira descoberta arqueológica feita em Portugal. A importância do local foi largamente reconhecida na época, passando a ser ponto de visita obrigatória para os eruditos, portugueses e estrangeiros, durante o Renascimento. Entre os ilustres visitantes que acorreram ao local, destaca-se a presença de Francisco d’Ollanda e de André de Resende, mas também de elementos da família Real, nomeadamente do Rei D. Manuel I e, mais tarde, do Infante D. Luís, irmão de D. João III.


Tais descrições indicam que o sítio terá permanecido visitável durante quase todo o século XVI, altura a partir da qual as estruturas terão pouco a pouco deixado de estar visíveis, contribuindo desta forma para uma certa confusão relativamente à sua localização precisa.


Apesar de tudo, a memória de um santuário romano no litoral sintrense permaneceu, embora se ignorasse agora a sua localização exacta. Os vários estudos e trabalhos científicos recentemente desenvolvidos acabariam por apontar para um pequeno outeiro sobranceiro à Praia das Maçãs, onde ainda hoje se conservam os micro-topónimos Alto da Vigia e Alconchel.


Foi precisamente nesse pequeno promontório, na margem esquerda daquela Ribeira, que a equipa do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas iniciou uma intervenção em 2008, junto das estruturas de uma torre de facho de época Moderna que ainda se encontravam parcialmente visíveis.


A intervenção arqueológica levada a cabo pela equipa do Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas permitiu já confirmar a existência naquela zona de um santuário romano monumental, bem como a caracterização dos alicerces parcialmente visíveis como pertencentes a uma torre de facho dos inícios do século XVI. Foi ainda surpreendentemente identificado um importante conjunto de vestígios de época islâmica, totalmente desconhecidos até então, mas para os quais o topónimo Alconchel (al-concilium) parece apontar.


Os testemunhos arquitectónicos de época islâmica correspondem a um ribat (“convento”), tendo sido, até ao momento, identificado um conjunto arquitectónico constituído por várias salas, destacando-se uma delas pela presença de um mirhab orientado para Sudeste, virtualmente no sentido de Meca.


A presença de restos de materiais de utilização quotidiana associados à ocupação islâmica é bastante residual. No entanto, foram recolhidos alguns fragmentos de cerâmica com cronologia do século XII, que assinalam provavelmente a fase final de ocupação. De salientar a grande quantidade de conchas, algumas ainda associadas a vestígios de fogueiras, indícios do aproveitamento dos recursos marinhos disponíveis no local.


Para além dos edifícios, foi também identificada uma área de necrópole com várias sepulturas, hoje sem qualquer vestígio de espólio arqueológico ou osteológico no interior e que, tudo leva a crer, estarão associadas à fase de ocupação islâmica do sítio.


Na edificação das estruturas do ribat foram utilizados múltiplos elementos arquitectónicos de época romana, onde se incluem algumas inscrições, que testemunham a existência no local de um importante santuário romano, para a existência do qual já apontavam os relatos de Valentim Fernandes e de Francisco d’Ollanda no século XVI.


A importância do santuário na época romana está reflectida no facto dos votos conhecidos até agora, expressos pela saúde do imperador e eternidade do Império, serem colocados não por devotos particulares, nem sequer pelas elites locais ou provinciais, mas apenas por detentores de altos cargos imperiais, nomeadamente governadores da Lusitânia ou legados do Imperador, embora por vezes através do senado de Olisipo, município em cujo território se localizava este santuário.


Nas escavações foi desde já recuperada uma nova inscrição que atesta a importância do local, sendo dedicada ao Sol e ao Oceano por um Procurador dos Augustos e sua família. Para além daquela ara e de uma inscrição funerária da época de Augusto - ou seja, anterior ao próprio santuário - foram recolhidos outros elementos arquitectónicos romanos com alguma monumentalidade, nomeadamente uma imposta moldurada, fragmentos de coluna, de ara e grandes blocos de construção.


As construções de período islâmico encontram-se em muitos casos bastante destruídas devido à remoção de elementos pétreos de grandes dimensões, dos quais muitas vezes apenas subsiste o negativo da forma conservado na argamassa do alicerce onde assentavam, ou apenas as pedras mais pequenas utilizadas como cunhas dentro das valas das fundações. Porém, alguns desses blocos de grandes dimensões ou de melhor qualidade no talhe ainda se conservavam nas paredes. É provável que a remoção daqueles elementos esteja relacionada com a construção da torre de facho nos inícios do século XVI, quando as estruturas islâmicas foram parcialmente utilizadas como “pedreira”.



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